sexta-feira, 29 de junho de 2012

Rezemos pelo Papa nesta sexta-feira

Por Alessandra Borges
Nesta sexta-feira, 29 de junho, a Igreja celebra a Solenidade de São Pedro e São Paulo. Além de festejar a vida destes dois santos, ela também comemora, hoje, o dia do Papa.
Para a Igreja Católica, São Pedro é considerado o primeiro Pontífice, aquele que Jesus escolheu para continuar guiando os fiéis e pregando Sua Palavra. Ao ser escolhido pelo conclave (reunião de todos os cardeais para escolha do próximo Sumo Pontífice), o Papa assume a missão de conduzir a Igreja, ou seja, representa a pessoa de Jesus Cristo e Seu governo.
Como Pastor Universal do rebanho de Cristo, o Santo Padre desenvolve o seu ministério de forma bonita e confiante, pois é ele quem define os dogmas da Igreja e leva os ensinamentos deixados por Jesus Cristo a todos. Por isso, todos os pronunciamentos realizados por ele devem ser seguidos pelos católicos como uma verdade dita pelo próprio Deus.
“O ministério pastoral é desenvolvido de formas bem específicas. Primeiramente magisterial, ou seja, todos os pronunciamentos e escritos que o Papa faz à Igreja Universal, tudo aquilo que ele fala e escreve se torna dogma e ensinamento hermenêutico da fé, portanto, significa traduzir e atualizar tudo aquilo que o próprio Jesus deixou nos seus Evangelhos para cada um de nós”, explica o sacerdote da Comunidade Canção Nova padre Anderson Marçal.
Outro importante papel desempenhado pelo Papa são as viagens apostólicas ao redor do mundo, pois cada lugar que o Santo Padre visita, ele carrega e leva consigo a sua paz, sua palavra e seu ministério para que as pessoas daquele lugar possam viver um grande momento de encontro com Deus.
Todo este trabalho missionário desenvolvido pelo Santíssimo Padre não é realizado sozinho. Assim como Jesus Cristo escolheu os 12 apóstolos para acompanhá-lo, o Pontífice exerce sua missão juntamente com o Colégio Apostólico.
Padre Anderson explica que este colégio representa a união de todos os bispos, ou seja, toda decisão e pronunciamento que o Papa realiza é algo pensado e estudado em conjunto com o Colégio Episcopal. Esta união proporciona segurança e credibilidade em tudo que o Sumo Sacerdote promove e realiza.
Portanto, no dia de hoje, vamos colocar em nossas orações diárias a vida e a santidade do nosso Papa Bento XVI.

População católica perde espaço


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População evangélica passa de 15,4% para 22,2% em 10 anos e alcança 42,3 milhões de fiéis em 2010
Sexta-feira, 29 de Junho de 2012 - 15:15:54 - Autor: UOL

Dados do Censo Demográfico 2010, divulgados nesta sexta-feira (29), mostram que a população evangélica no Brasil passou de 15,4% da população brasileira para 22,2%, o que dá um crescimento de 6,8 pontos percentuais nos últimos dez anos, e atualmente representa 42,3 milhões de pessoas sendo esta a segunda religião com o maior número de adeptos no país.
A pesquisa também indica aumento da população espírita, que hoje é de 3,8 milhões, e das pessoas que se declararam sem religião (aproximadamente 15 milhões).
Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o aumento no número de evangélicos é proporcional ao crescente declínio da religião católica, que perdeu 9,4% de fiéis em relação ao Censo de 1991.
Ainda assim, o catolicismo é predominante no país: são mais de 123 milhões de pessoas (64,6% da população brasileira; até 2000 eram 73,6%). O Brasil é considerado o maior país do mundo em números de católicos nominais.
Até o início da década de 90, os evangélicos representavam apenas 9% do contingente populacional, dos quais a maioria de origem pentecostal. Com a expansão das igrejas evangélicas pelo país e a veiculação de programas religiosos nas emissoras de televisão, tal índice subiu 44,16%.
A maior concentração de evangélicos foi registrada em Rondônia (33,8%), e a menor no Piauí (9,7%). A pesquisa mostra ainda que 60% são de origem pentecostal, 18,5%, evangélicos de missão e 21,8 %, evangélicos não determinados. Os religiosos consideram que o Brasil possui a maior concentração mundial de evangélicos de origem pentecostal.
Já em relação aos evangélicos em geral o que inclui o protestantismo, o primeiro lugar do ranking é ocupado pelos Estados Unidos, onde mais da metade da população é adepta da religião (mais de 155 milhões de pessoas).
Espíritas e pessoas sem religião
Os espíritas, por sua vez, que passaram de 1,3% da população, em 2000, para 2%, em 2010 um aumento de cerca de 1,5 milhão de pessoas. O  aumento mais expressivo foi observado na região Sudeste, cuja proporção passou de 2% para 3,1% nos últimos dez anos.
Segundo os dados do IBGE, o Rio de Janeiro é o Estado com o maior índice de pessoas que se declararam espíritas, com 4%, seguido de São Paulo (3,3%), Minas Gerais (2,1%) e Espírito Santo (1%).
O Censo 2010 também registrou aumento entre a população que se declarou sem religião. Em 2000 eram quase 12,5 milhões (7,3%), ultrapassando os 15 milhões em 2010 (8,0%). Os adeptos da umbanda (407 mil) e do candomblé (167 mil) mantiveram-se em 0,3% em 2010.
Declínio do catolicismo
Embora o perfil religioso da população brasileira mantenha, em 2010, a histórica maioria católica, esta religião vem perdendo adeptos desde o primeiro Censo, realizado em 1872.
Em aproximadamente um século, a proporção de católicos na população brasileira variou 7,9 pontos percentuais, reduzindo de 99,7%, em 1872, para 91,8% em 1970. Desde então, os dados censitários do IBGE mostram que a religião passa por uma fase de declínio: nos últimos dez anos, os católicos passaram de 73,6% para 64,6%.
Esta redução no percentual de católicos ocorreu em todas as regiões, mantendo-se mais elevada no Nordeste (de 79,9% para 72,2% entre 2000 e 2010) e no Sul (de 77,4% para 70,1%). A maior redução ocorreu no Norte, de 71,3% para 60,6%, ao passo que os evangélicos, nessa região, aumentaram sua representatividade de 19,8% para 28,5%.
O menor percentual de católicos foi encontrado no Estado do Rio de Janeiro: 45,8% em 2010. O maior percentual pertence ao Piauí, com 85,1%.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Papa nomeia dois novos bispos para o Brasil

Fonte:http://www.blogdacnbb.com/


O Santo Padre, o papa Bento XVI nomeou na manhã de hoje, 27 de junho, dois novos bispos para o Brasil.
O primeiro deles é o padre José Eudes Campos do Nascimento, atual vigário episcopal na arquidiocese de Mariana (MG) e pároco da paróquia Santa Efigênia, em Ouro Preto (MG), que assumirá a diocese vacante de Leopoldina (MG). O segundo é o padre Sérgio de Deus Borges, atualmente é reitor do Seminário Menor Diocesano “Menino Deus” e presidente do Tribunal Eclesiástico de Londrina (PR), nomeado bispo auxiliar para a arquidiocese de São Paulo (SP).
Monsenhor José Eudes
Pe._Jos_Eudes_-_LeopoldinaNasceu em Barbacena, Minas Gerais, em abril de 1966. Cursou Filosofia no Instituto Santo Tomás de Aquino, em Belo Horizonte (MG) e Teologia no Seminário São José, em Mariana (MG). Foi ordenado padre no dia 22 de abril de 1995, em sua cidade natal. Atuou como pároco da paróquia São Gonçalo do Amarante, em Catas Altas da Noruega (MG); Assessor da Pastoral da Juventude; pároco da Paróquia Nossa Senhora do Rosário, em Rio Pomba (MG) e finalmente pároco da paróquia Santa Efigênia, em Ouro Preto, desde 2009.
Monsenhor José Eudes sucederá a dom frei Dario Campos, transferido para a diocese de Cachoeiro do Itapemirim (ES), em 27 de abril de 2011. Desde então, a diocese de Leopoldina está vacante, sendo administrada pelo monsenhor Alexandre dos Santos Ferraz.
Monsenhor Sérgio de Deus
Pe._BorgesNasceu em Alfredo Wagner, Santa Catarina, em setembro de 1966. Realizou seus estudos em Filosofia com os freis Capuchinhos, em Ponta Grossa (PR), e Teologia, no Instituto Teológico Paulo VI, em Londrina. Além disso, é licenciado em Pedagogia e especialização em Gestão do Ambiente Escolar, pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA). Fez mestrado em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Lateranense e especialização em Matrimônio e Família pela Pontifícia Universidade Santa Cruz. Atualmente cursa o doutorado pela Pontifícia Universidade Católica Argentina.
Antes disso, monsenhor Sérgio foi ordenado presbítero em fevereiro de 1993 e incardinado na diocese de Cornélio Procópio (PR), onde exerceu as funções de pároco da paróquia São Miguel e São Francisco, membro do Conselho Presbiteral e Colégio de Consultores, assessor da Pastoral da Juventude, assessor da Pastoral do Dízimo, administrador paroquial da paróquia Nossa Senhora da Conceição, assessor da Pastoral Familiar, pároco da paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Jataizinho (PR), desde 2011, e presidente da Sociedade Brasileira de Canonistas.

Oração da Família (padre Zezinho) montagem de Joaquim Margarida

quarta-feira, 27 de junho de 2012

A Iniciação à Vida Cristã e o Discipulado 2



Durante a 3ª Semana Brasileira de Catequese, Ir. Vera começou lembrando a todos que o Documento de Aparecida “destaca a iniciação cristã como a maneira prática de colocar alguém em contato com Jesus Cristo e iniciá-lo no discipulado”. Isso provoca muitos questionamentos e entre eles é importante se perguntar: “será que a nossa catequese é um verdadeiro caminho de discipulado?”

“Discipulado” e “seguimento” são termos que se entrelaçam na medida em que são identificados pela ação de caminhar ou seguir, e acabam sendo utilizados indistintamente como sinônimos. Na realidade, como bem distinguiu Ir. Vera, “seguimento expressa a ampla realidade do chamado de Deus que entra na vida da pessoa, espera uma resposta e provoca uma ruptura”. Por outro lado, “o discipulado expressa a relação vital entre a pessoa do discípulo e o mestre Jesus”.

O processo catequético deve, em primeiro lugar levar a pessoa a encontrar-se com o Jesus que convida “algumas pessoas do meio do povo para segui-lo e partilhar com ele a vida, a missão e o destino”. Somente quem acolhe esse convite é capaz de dar o passo seguinte, o do discipulado, que é o “aprofundamento do seguimento e implica renúncia a tudo o que se opõe ao projeto de Deus e diminui a pessoa; leva à proximidade e intimidade com Jesus Cristo e ao compromisso com a comunidade e com a missão”.

Os verdadeiros “seguidores de Jesus participam de sua vida, de suas atividades, particularmente do anúncio do Reino. Mas, eles dependem plenamente de Jesus e agem em comunhão com ele. Sem a relação-comunhão vital com Jesus, a pregação da boa-nova do Reino perde toda sua força de transformação”.

Por isso mesmo, como bem lembrava Ir. Vera, “na catequese, não é suficiente apresentar conteúdos sobre Cristo para serem sabidos e aceitos, mas é importante propor um modo de conhecer Jesus, que consiste em assemelhar-se a ele, segundo seus ensinamentos”.

Nessa mesma direção são muito significativas as palavras do teólogo Jon Sobrino que afirma: “quem quiser conhecer Jesus e não só ter notícia sobre ele, que o siga! (...) Quem quiser conhecer o mistério cristão de Deus, que esteja disposto a permanecer diante de Deus, a viver e atuar como Jesus! (...) Quem quiser saber da ação renovadora e vivificadora do Espírito, que se coloque, como Jesus, entre os pequenos e os pobres!”

Todas essas afirmações a respeito de seguimento e discipulado são elementos fundamentais do processo de iniciação à vida cristã. De fato, a sua finalidade não é simplesmente a de aumentar o número de batizados e encher Igrejas, mas a de formar verdadeiras comunidades de discípulos missionários de Jesus Cristo, que se esforçam em viver as propostas do Reino de Deus, contribuindo, assim para que esse mundo fique cada vez melhor.

 

Conheça e aprofunde mais sobre esse tema no livro “3ª Semana Brasileira de Catequese. Iniciação à Vida Cristã”, publicado pela “Edições CNBB”, nas páginas 169-185. Consulte o sitewww.edicoescnbb.com.br e veja como adquirir este livro.


Pe. Luís Gonzaga Bolinelli – Doutrinário

São Pedro e São Paulo


Fonte : http://catequeseebiblia.blogspot.com.br/ 

Numa única festa celebramos a vida dos apóstolos Pedro e Paulo, porque os dois perseguiram um mesmo objetivo, o seguimento de Jesus Cristo, terminando no martírio. Pedro era muito ligado ao povo judeu, e Paulo, numa visão bem missionária, vai às demais nações de seu tempo. Além da força das suas palavras, eles foram verdadeiras testemunhas de fé e compromisso com Jesus Cristo.
Na convivência com o Mestre, esses dois apóstolos contribuíram na construção de uma consciência coletiva sobre a identidade da vivência cristã. Mas era preciso compreender quem era Jesus Cristo e qual o verdadeiro sentido de sua mensagem. Só a partir daí foi possível dar solidez ao projeto da construção do Reino.
Em Pedro e Paulo está assentada a Igreja, sendo eles as principais colunas de sua sustentação. É uma construção feita no meio das forças do antirreino, no mundo da maldade e de tudo que é desconstrução do bem e da vida das pessoas. É um processo que continua na história, enfrentando o mal da cultura moderna.
Ambos fizeram o caminho da libertação, tendo como fim, a condenação. Na dimensão do Reino de Deus, só consegue libertar quem é capaz de dar a vida por aquele que vive em situação de indignidade. Pedro morreu crucificado de cabeça para baixo, e Paulo, degolado, coincidente e curiosamente, em Roma, onde foram sepultados e tidos como marcos da Igreja.
Devemos entender que o martírio, por causa do Evangelho, é valorizado pela Igreja como autêntica oferta ou sacrifício. Fruto de um longo combate na fé e, ao mesmo tempo, confirma uma situação de vitória, por ser uma doação feita em nome de Deus. É consequência de um projeto assumido em vista do bem.
Não é fácil ter fidelidade em relação à vida, principalmente quando temos que enfrentar críticas e perseguições. Não conseguimos vencer por dizer muitas palavras, mas por ter uma vida marcada pelo testemunho de autenticidade na prática da fé e da vida cristã. O testemunho supõe determinação e coragem no que é assumido.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

terça-feira, 26 de junho de 2012

A vida



                        A vida


Os seres Humanos são os únicos que receberam do Criador a responsabilidade de preservar e multiplicar a espécies  sobre a terra.Isto ninguém duvida e não precisa ter uma religião para saber. Todos, até mesmo aquele que nunca leu a bíblia sabe que lá está escrito em algum lugar .    Se encontra em gn,9,1-2.
Deus fala a Noé: “você tem o poder de dominar tudo que move sobre a terra e dela terá o alimento...”
A partir do pecado o homem quis se igualar a seu Criador porque o seu egoísmo de ter e ser sempre mais, mas precisamos entender que somos responsáveis pela preservação da vida em maneira  geral não da vida do que só nos interessa.
Toda a natureza vive em serviço da vida humana, basta nos olhar com outros olhos, que veremos tudo a nosso serviço, a formiguinha perfura a terra e também dão o exemplo de perseverança e união, as plantas além de nos alimentar produz a purificação do ar que até hoje o homem com sua inteligência não conseguiu a substituir e produz a chuva para fazer multiplicar toda a criação e daí se vai...
Você já parou para pensar que a vida nos foi dada para ser preservada e a natureza toda está disposta a contribuir ? e muita s vezes fazemos o contrário ?
Vamos refletir um pouco sobre a nossa própria vida, não a vida do meu filho nem da minha esposa ou marido, sim a minha. Eu recebi um cérebro privilegiado ele pensa, ele raciocina ele é capaz de fazer coisas incrível  para criação e destruição. As vezes não usamos para o nosso próprio bem.
É nosso dever como cristão de fazer o mínimo  que é respeitar a própria vida.
Infelizmente muitas vezes  vivemos no faça e disfarça: brigamos com a esposa ou esposo ficamos nervosos vamos tomar calmante ou vingar,não seria melhor se pedíssemos  perdão ? ou perdoássemos ? muitos vão para o bar e se embriagam, com certeza não fará bem tudo aquilo que se faz em excesso.
Cuidando da nossa alimentação o nosso bem estar estamos também cuidando da saúde e conseqüentemente preservamos a própria vida que o maior dom que Deus nos deu.Existem várias maneiras simples de preservarmos a saúde como dormir e levantar cedo, tomar água filtrada não comer com ganância, ter uma boa mastigação, muito mais coisa que estão no alcance de todos nos ajuda muito a preservar a vida.
Não sou contra o progresso ele nos ajuda também e faz parte da evolução da criação humana, mas tem coisas que não devemos a dar ouvido são coisas que mais são divulgada na mídia, vejam vocês  o acidente automobilístico é uma das coisas que mais mata no mundo, por causa dos abusos de velocidades, mas cada ano sai um modelo mais possante que o outro.
Jesus disse:  “Eu vim para que todos tenham vida e vida com abundância”Esta vida com abundância não é simplesmente viver sim lutar por ela. Deus a Noé multiplique-se não somente em reprodução mas também em amor próprio e não egoísmo .

Joaquim Margarida Pinto
   

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Dorothy Mae Stang

Assassinos em liberdade

Postado por Frei Miltom
Um dos condenados pela morte da missionária Dorothy Stang está foragido. Outros três já podem passar o dia fora da prisão. A sensação de impunidade estimula novos crimes.

Por : ALINE RIBEIRO, BELÉM

SILENCIADA A lápide da missionária americana Dorothy Stang na zona rural da cidade de Anapu, no Pará. Ela foi morta em 2005, com seis tiros à queima-roupa (Foto: Jefferson Coppola/Folhapress)





Mapa (Foto: reprodução)O Natal do fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura será uma festa. Ao lado da mulher e dos três filhos, ele vai comemorar a data no conforto de sua casa em Altamira, no interior do Pará. Haverá música e fartura na ceia. O momento será especial, já que há tempos ele não se reúne com a família. Bida, como é conhecido, foi condenado a 30 anos de prisão por encomendar a morte da missionária americana Dorothy Mae Stang, de 73 anos, assassinada em fevereiro de 2005. Ficou na cadeia pouco mais de cinco anos até obter, no mês passado, o direito de cumprir o restante da pena em regime semiaberto. O benefício garante a saída em festejos como Natal, Semana Santa e Dia dos Namorados. Os presos que conseguem um emprego num órgão público podem ainda ficar soltos nos dias de semana e voltar à cela apenas para dormir. “Pretendo trabalhar e viver minha vida”, disse Bida, em entrevista exclusiva a ÉPOCA (leia a íntegra). Bida desfrutará o mesmo gosto de liberdade que três de seus quatro comparsas já experimentam. Rayfran das Neves, o pistoleiro de aluguel, está no semiaberto desde o ano passado. Amair Feijoli da Cunha, o Tato, intermediário do assassinato, cumpre pena em regime domiciliar numa fazenda no interior. Clodoaldo Carlos Batista, o Eduardo, coautor do crime, se aproveitou do regime aberto, que permite passar o dia livre, para não mais voltar. Está foragido desde fevereiro.




Dorothy Stang (Foto: divulgação)




Neves trabalha no almoxarifado de uma instituição do governo. Pega ônibus, tem celular e tempo para o namoro recém-engatado com a funcionária de uma creche. Tato está sempre flanando pelas ruas do município de Tailândia, a passeio ou atrás dos afazeres com o gado. Sua única obrigação é se apresentar à delegacia local uma vez ao mês. O desaparecimento de Batista era, até a semana passada, desconhecido de muitos envolvidos com o caso. “Não faço ideia do paradeiro dele”, diz o advogado Raimundo Cavalcante, um evangélico fervoroso que, além de Batista, defende outros três envolvidos no crime. Juízes e promotores que participaram do julgamento do assassinato de Dorothy Stang foram informados da fuga pela reportagem de ÉPOCA.



Batista era parceiro do pistoleiro Neves e estava com ele quando Dorothy foi alvejada com tiros, os seis à queima-roupa. Sua pena foi a mais branda de todas, 17 anos. Antes de fugir da cadeia, ele vivia numa chácara na região metropolitana de Belém. Em troca de moradia e um salário, trabalhava como caseiro. À noite, voltava para a Casa do Albergado, uma espécie de centro de reeducação de detentos, para dormir. Mesmo sob um regime permissivo, Batista decidiu ignorar sua dívida com a Justiça – e não foi a primeira vez.



No ano passado, ele já abandonara a prisão. Foi considerado foragido, mas se reapresentou espontaneamente e não recebeu punição alguma. O juiz Amarildo José Mazutti manteve seu direito de cumprir o castigo no regime aberto, em vez de passá-lo para o semiaberto (a lei não permitiria transferi-lo imediatamente para o fechado). “Ele estava doente e sem dinheiro para a passagem de ônibus”, afirma Mazutti. “Quando a justificativa é plausível, temos de acreditar.”



Pouco mais de seis anos depois de um dos crimes brasileiros de maior repercussão internacional, o desfecho do caso Dorothy faz soar o alarme da impunidade. Apesar das penas altas – entre 17 e 30 anos –, nenhum dos envolvidos passará muito mais que cinco anos na cadeia. Como o assassinato ocorreu em 2005, eles são beneficiados pela legislação antiga, segundo a qual o condenado ganha o direito de pleitear o regime semiaberto depois de cumprir um sexto da sentença. Em 2007, o Congresso Nacional aprovou algumas mudanças na lei dos crimes hediondos. Hoje, o tempo mínimo que um réu primário deve ficar atrás das grades em tempo integral é dois quintos da pena.





A lei de execução penal é um estímulo à impunidade "
Felício Pontes, procurador do MP do Pará

Além de amenizar o cumprimento da pena, a lei não garante que o condenado vá honrá-la até o fim. “A lei de execução penal é um estímulo à impunidade”, diz Felício Pontes, procurador do Ministério Público Federal do Pará. “Reformá-la seria a única maneira de evitar que os envolvidos em conflitos de terras se sintam à vontade para contratar novos pistoleiros.” O Pará é o Estado brasileiro que mais acumula brigas no campo. Dois em cada três crimes do tipo no país ocorrem em seu território. De 1985 a 2010, segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Estado registrou 704 assassinatos de trabalhadores e lideranças rurais. Só 25 envolvidos foram condenados, e pelo menos nove deles estão foragidos. Apenas dois mandantes estão presos. “Esse modelo de desenvolvimento centrado na exploração madeireira, mineral e na pecuária é o grande responsável pelos conflitos”, diz José Batista Gonçalves Afonso, advogado da CPT.



DE VOLTA O pistoleiro Rayfran das Neves em Belém. Ele trabalha num órgão público, anda sozinho pela cidade e namora quando sobra um tempo. À noite, dorme na prisão  (Foto: Filipe Redondo/ÉPOCA)



O assassinato de Dorothy, na pequena Anapu, um município de 20 mil habitantes a 765 quilômetros de Belém, é só um retrato do panorama de desordem agrária do Pará. Anapu surgiu com a Rodovia Transamazônica e explodiu com a notícia da construção da hidrelétrica de Belo Monte na vizinha Altamira. Esse caótico cenário nasceu nos anos 1970, no período de colonização da Amazônia. Durante a ditadura militar, o governo federal estimulou a integração das terras do Norte ao restante do Brasil. A construção da Rodovia Transamazônica, hoje com quase 5.000 quilômetros, foi o marco do que prometia ser um futuro glorioso. Havia também a sensação de que os estrangeiros estavam de olho na floresta.



Sob o lema “Levar terra sem homens para homens sem terra”, o então presidente, Emílio Médici, oferecia lotes a quem chegasse de outros cantos do país – desempregados e sem-terra, vindos do Nordeste, ou especuladores, egressos especialmente do Espírito Santo, da Bahia e de Minas Gerais. A massa humana que avança pela fronteira da mata segue sempre o mesmo padrão. Os primeiros a chegar são os madeireiros. Já capitalizados com a destruição da Mata Atlântica, eles saqueiam toda a madeira de lei que encontram pela frente. Os fazendeiros vão no rastro, queimam o que resta e acomodam seus bois. Quando o pasto enfraquece, as áreas dão lugar à agricultura intensiva.
Pará (Foto: reprodução)




Além de número um em crimes no campo e trabalho escravo, o Pará é também campeão de terras em situação irregular. Um quarto de seu território é de áreas griladas, um total de 30.000 quilômetros quadrados (o equivalente à área da Itália). Há várias maneiras de grilar uma propriedade. Todas elas passam pela corrupção de cartórios, pela conivência dos institutos de terras federais e estaduais e pela pistolagem. É comum no Pará uma única área ser reivindicada por vários donos – e ganha quem tem mais poder de fogo. Depois de “legalizar” a terra, os grileiros costumam aumentar seu tamanho. Em um caso curioso, há um registro num cartório de Vitória do Xingu de uma fazenda com 4,10 milhões de quilômetros quadrados – quatro vezes o tamanho do Pará inteiro. “O Estado tem mais papel que terra. Isso viola o princípio da física”, diz Girolamo Treccani, professor de Direito Agrário da Universidade Federal do Pará (UFPA), autor do mais completo livro sobre o tema.



Durante a colonização, o Incra concedia terras públicas a famílias de colonos ou cooperativas agrícolas. Em troca, os novos ocupantes tinham de tornar aquelas áreas produtivas em cinco anos. Não era permitido transferir a propriedade a terceiros sem autorização do dono – o governo. Mas o comércio ilegal de terras ganhou vulto, e o plano dos militares fracassou. Em Anapu, só permaneceram os que não conseguiram ir embora. E, claro, aqueles que tinham intenção de enriquecer à custa da fragilidade fundiária. Foi assim que Bida e o outro acusado de encomendar o assassinato de Dorothy, o fazendeiro Regivaldo Pereira Galvão, ou Taradão, chegaram à região (ele é o único dos envolvidos preso em regime fechado. Foi detido em setembro).



Nascida em Dayton, no Estado americano de Ohio, Dorothy Stang chegou ao Brasil em 1966. Com um português mal falado (despertava o riso de amigos por confundir o feminino com o masculino), percorreu boa parte das estradas esburacadas da floresta em sua lambreta, declarando uma paixão incondicional pela natureza. Naturalizou-se brasileira, foi professora de um seminário e ajudou a construir escolas em Anapu e a treinar professores. Ao lado de outras missionárias, implantou cooperativas para os trabalhadores da região, uma alternativa à derrubada da mata, fonte de renda com menor impacto ao ambiente. Uma de suas principais conquistas foi uma fábrica de processamento de frutas amazônicas, erguida com recursos da própria família. “A luta dela era uma luta intelectual”, afirma Edson Cardoso, um dos promotores responsáveis pela condenação dos assassinos. “Em vez de estimular a invasão, ela reivindicava ao governo os documentos para que essas famílias tivessem direito à terra.”



Dorothy acreditava em um novo modelo de reforma agrária. Queria assentar as famílias de agricultores em pequenos lotes de 100 hectares. Elas viveriam do plantio de subsistência e do que retirassem coletivamente da floresta, sempre respeitando o que a natureza fosse capaz de repor. Uma inovação em seu projeto dizia respeito ao contrato de posse. A despeito de se tornar donos da terra, esses agricultores tinham o compromisso de não vendê-las a grandes fazendeiros. Se quisessem partir, teriam de negociar com a associação. Era uma forma de evitar que os lotes fossem engolidos pelos grandes desmatadores, como ocorreu em boa parte do Estado. O plano de Dorothy era assumir as áreas públicas controladas por grileiros e repassá-las, com a anuência da lei, às famílias sem-terra. O alvo da disputa com os fazendeiros que encomendaram sua morte era o lote 55, onde ela pretendia estabelecer seu Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Esperança. Seus adversários consideravam os assentamentos um retrocesso econômico – argumento que faz sentido. Defender seu modelo de reforma agrária equivale a ignorar a relevância da grande propriedade, explorada de modo sustentável, para atingir os índices de produtividade necessários para o avanço e o desenvolvimento da Amazônia e de todo o Brasil. A trágica realidade da região é que esse debate se trava não apenas com ideias – mas frequentemente com armas. Em 2003, a Câmara Municipal de Anapu declarou Dorothy persona non grata na cidade. Sua resposta foi elevar o tom das denúncias.



A luta da irmã Dorothy era uma luta intelectual "
Edson Cardoso, promotor do caso






No dia em que foi assassinada, Dorothy levava documentos do Incra acatando a demanda dos assentados de ficar na terra. Não era um título definitivo, mas trazia esperança para ela. Ela estava eufórica. Ao cruzar com o pistoleiro Rayfran Neves e seu comparsa Batista na pequena estrada tomada por lama, Dorothy comunicou-lhes a notícia. Quando percebeu o revólver calibre 38 nas mãos de Neves, Dorothy sacou de uma bolsa de lona, companheira inseparável nas andanças, uma Bíblia surrada. Leu então uma passagem para seus executores. Impiedoso, Neves atirou à queima-roupa e fugiu. “Virei as costas e corri”, disse Neves a ÉPOCA, na casa de seu advogado. “Só percebi o que tinha feito dias depois, quando estava sendo caçado pela polícia.” Neves sustenta a mesma posição assumida pela defesa dos condenados desde o começo do processo. Afirma que Dorothy era uma infiltrada do governo americano com o objetivo de explorar as riquezas naturais da Amazônia. “Ela me disse que ia tirar toda a madeira do lote e exportar para os Estados Unidos.”
FORAGIDO O coautor Clodoaldo Batista durante seu julgamento em 2005. Ele já cumpria pena no regime aberto, mas desde fevereiro deste ano não retorna à prisão  (Foto: Jefferson Coppola/Folhapress)



A morte de Dorothy de certa maneira fortaleceu o movimento que ela ajudou a idealizar. Cerca de 230 famílias vivem hoje nas propriedades do PDS Esperança, algumas em mais segurança, outras ainda atormentadas pelos conflitos. O lote 55, disputado por Dorothy com seus assassinos, está ocupado por clientes da reforma agrária cujo único meio de sustento é a roça. “Mesmo com as dificuldades, a caminhada do povo avançou”, diz Jane Elizabeth Dwyer, missionária da mesma ordem religiosa de Dorothy, a Notre Dame de Namur, e hoje sua sucessora. Embora haja conquistas, a situação em Anapu ainda é tensa. Em janeiro deste ano, madeireiros que tentavam atuar em uma área ilegalmente interditaram uma estrada para impedir a passagem dos sem-terra. A posse dos lotes na região ainda não foi regularizada pelas autoridades.



Dorothy Stang foi vítima do pistoleiro e de seus mandantes. Mas também de um modelo de colonização que favoreceu o caos fundiário e os conflitos por terras. Os riscos que corria eram claros. No relatório anual de violência no campo de 2004, publicado pela CPT, seu nome aparecia entre os 160 ameaçados de morte no Brasil – o preço de sua vida era um dos mais altos, R$ 50 mil. Mas ela era destemida. Certa vez, numa entrevista, disse: “Ninguém vai ter coragem de matar uma velha como eu”. Naquela manhã chuvosa de 12 de fevereiro de 2005, Neves não só pôs fim à ingenuidade de Dorothy, como mostrou ao mundo a situação primitiva de algumas regiões do Brasil. Locais onde o faroeste verde determina as regras. Seus inimigos não contavam com um contratempo. “Ela virou a santa da Transamazônica”, afirma Neves. Ele ri e olha para o vazio.

fonte    http://vocacionadosdedeusemaria.blogspot.com.br

Romaria da Terra e das Águas.


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16RTAConvocados pela Comissão Pastoral da Terra de Minas Gerais e também pela diocese de Governador Valadares (MG), reuniram-se mais de 10 mil lideranças de base e dos diversos movimentos sociais, para celebrar a 16ª Romaria das Águas e da Terra. Partindo da Paróquia São Judas Tadeu, os romeiros fizeram uma caminhada de quatro quilômetros, às margens do Rio Doce, relembrando os mártires da caminhada e participando do emocionante e significativo encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, trazida de barco pelos pescadores e São Francisco de Assis. Seguiram em caminhada até um mirante, onde foi fincada uma cruz que permanecerá como símbolo compromisso da Romaria.
Houve paradas para apresentar testemunhos e denúncias, sinalizando a realidade e os desafios em relação a terra, água e direitos.
Sob a coordenação do assessor da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz, padre Nelito Dornelas, os romeiros foram conduzidos ao local da celebração eucarística, presidida pelo bispo de Governador Valadares, dom Werner Siebenbrock, com a presença de dom  Aloísio Vitral, de Teófilo Otoni (MG) e de diversos padres, com a participação da pastora Sônia, da igreja Metodista e dos indígenas Pataxó.
Ao final da celebração, foram distribuídos brotos de mandioca como símbolo de resistência dos povos da terra. Em seguida procedeu-se a leitura da carta compromisso da Romaria.
Carta dos romeiros e romeiras da 16ª Romaria das Águas e da Terra de Minas Gerais
Tudo que existe proclama: teu reino é reino de todos os séculos, teu domínio se estende a todas as gerações (Sl 145, 13).
Do Senhor é a terra com o que ela contém, o universo e os que nele habitam (Sl 24,1-2)
Nós, romeiros e romeiras, dos diversos Vales e Montanhas de Minas Gerais, campos e cidades, reunimo-nos em Governador Valadares, às margens do Rio Doce e aos pés do pico da Ibituruna, para celebrar a 16ª Romaria das Águas e da Terra, sob o lema: das montanhas e vales férteis brote o compromisso com a vida e a saúde de seus povos!
Nesta caminhada romeira, refletimos sobre a realidade do nosso planeta, escutando o grito que sai da terra, das águas e dos seus filhos.
Testemunhamos que a conquista e a ocupação das terras em nosso País e a luta pela sobrevivência das pessoas que nelas convivem e trabalham são frutos de uma batalha desigual. De um lado, os devoradores da natureza, provocando uma verdadeira idolatria da terra e das águas, transformando tudo em mercadoria e fonte de lucro e riqueza para alguns. De outro, a identidade e a cultura dos povos e grupos sociais que vivem e convivem com a terra e dela cuidam como a mãe natureza.
Assistimos, hoje, às consequências dessa mercantilização da natureza: menos solos disponíveis para a agricultura camponesa e mais solos para o agronegócio e o agrotóxico, aumento dos monocultivos extensivos e intensivos, expansão da mineração, exploração violenta da mão de obra, invasão dos territórios das comunidades tradicionais; menos água de qualidade para a população e mais água para o hidronegócio e os grandes projetos; alternância de secas e enchentes, mais pragas, gerando uma intensa instabilidade na natureza, aumentando a migração e prejudicando a vida nas cidades e a saúde da população.
Conscientes de que não temos o controle absoluto sobre a Terra, pois dela dependemos para viver e conviver, queremos nos relacionar com ela como criatura e dom, nossa mãe e nossa casa: bonita, aberta a todas as pessoas, sem distinção alguma, pois todos e tudo que existe somos parte essencial da vida que nos foi dada pelo Criador. Por isso, não basta ouvir só o clamor dos filhos da terra. É preciso ouvir o grito ensurdecedor que sai da mãe terra e da irmã água.
Para preservar a vida do planeta e no planeta, nos comprometemos na promoção de políticas públicas que garantam para todas as pessoas o direito à água, ao ar puro, ao solo não contaminado, à segurança e à soberania alimentar e à saúde pública de qualidade e universal. Reafirmamos a necessidade ética de preservar o meio ambiente, protegendo e restaurando a diversidade, a integridade e a beleza dos ecossistemas do planeta, vivendo de modo sustentável, promovendo e adotando formas de consumo, produção e comercialização que respeitem e salvaguardem os direitos de todas as pessoas, o bem-estar comunitário e as capacidades regenerativas da terra.
Reafirmamos que aos indígenas, quilombolas, camponeses, recicladores e demais populações tradicionais cabe um papel vital no cuidado e proteção da Mãe Terra. Eles têm o sagrado direito a preservar sua espiritualidade, seus conhecimentos, suas terras, territórios e recursos.
O Brasil é o segundo País em concentração da propriedade da terra em todo o mundo. A celebração e a proclamação da nossa fé só serão verdadeiras quando provocarem uma democratização efetiva da terra, dos terrenos urbanos e o acesso a todo o povo brasileiro a água de qualidade.
Afirmamos que nenhum poder da história conseguirá tirar de Deus estes bens indispensáveis à criação e recriação da vida. Ele, no seu imenso amor e fidelidade, os entregou a todos como sinal da sua bondade e da sua vida e, cabe a nós, o dever de cuidar da terra e da água, defendendo os seus direitos e de todos os seus filhos e filhas.
É na memória contida na Sagrada Escritura que se baseia a nossa sabedoria e para lá temos sempre que voltar, como um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas (Mt 13,52). Essa sabedoria quer se somar à sabedoria que vem das experiências milenares dos diversos povos e dos diversos ramos dos estudos científicos. É assim que, desde o princípio da criação, a força da vida vem enfrentando todas as formas da morte, num processo permanente de criação e recriação, até o fim da história, até que veremos novos céus e nova terra e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor (cf Apoc 21,1.4) e tudo será, definitivamente, bom, muito bom.
Governador Valadares – MG, 10 de junho de 2012
Fonte:www.cnbb.or.br

terça-feira, 19 de junho de 2012

Profecia: a partir dos pobres

Precisamos colocar nossos ouvidos e nosso coração pertinho do coração dos violentados, para que nossas palavras possam refletir algo da vontade do Deus da vida

18/06/2012

Gilvander Luís Moreira

Palavra de Javé: consolai os aflitos e afligi os consolados! Ninguém pode tocar o corpo dos escritos proféticos sem sentir a batida do coração divino.
A Bíblia, se interpretada com sensatez e a partir dos pobres, nos educa para a vivência profética, o que passa necessariamente por construir uma convivência humana e ecológica onde o bem comum seja um princípio básico seguido.
Os grandes desafios da realidade social, eclesial e eclesiástica para as pessoas cristãs que se engajam nas lutas sociais e na construção de uma sociedade justa, solidária, ecumênica e sustentável, - também construção de uma igreja Povo de Deus -, me fazem recordar também os desafios de muitos profetas e profetisas da Bíblia e de suas profecias.
Quando o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ou os movimentos populares que fazem ocupações urbanas realizam ações radicais – não extremistas, mas aquelas que, de fato, vão à raiz dos problemas e, por isso, ferem o coração da idolatria do capital - o ódio dos poderosos despeja-se sobre os militantes dos movimentos populares. Isso faz acordar em mim profecias bíblicas, como das parteiras do Egito, dos profetas Elias, Amós, Miquéias e do galileu de Nazaré.
Quantos de nós já nos dispusemos a fazer a experiência de viver sob lonas pretas e gravetos – em condições similares aos animais no meio do mato, ou em condições piores do que nas favelas? Quem de nós já viveu à beira das estradas, em lugares ermos e remotos, sujeitos aos ataques noturnos repentinos? Quantos já permaneceram em um acampamento do MST por mais de um dia, observando o que comem (e, sobretudo, o que deixam de comer), o que lhes falta, como são suas condições de vida? Quantos já viram o desespero das mães procurando, aos gritos, pelos filhos enquanto o acampamento arde em fogo às 3 da madrugada, atacado por jagunços?
 Sentindo-me na pele dos sem-terra e dos sem-casa, convido você para visitar algumas profecias bíblicas das parteiras, de Elias, Amós, Miquéias e Jesus de Nazaré, na esperança de que possam iluminar nossas consciências e aquecer nossos corações para discernirmos o que é preciso fazer, como fazer e comprometermo-nos de fato com a causa dos pobres que, com fé libertadora, lutam por direitos humanos, por uma terra sem males.
Uma premissa básica: nosso Deus é transdescendente. Muitos perguntam: se Deus existe e é todo poderoso, por que permite tanta dor, tanta violência e sofrimento no mundo? Deus é sádico? Está sentado na arquibancada, de braços cruzados, vendo o sangue do inocente verter na arena da vida? Deus não faz nada? Um sábio, ao ouvir essas interpelações, respondeu: Deus fez e faz todos nós para sermos no mundo expressão do Deus que é infinito amor. A única força que Deus tem é o amor, que aparenta ser a realidade mais frágil, mas é a mais poderosa do mundo. Só o amor constrói.
Jesus se tornou tão humano que acabou se divinizando. Pelo seu relacionamento íntimo com o Pai, ao qual chamava de papai (abbáh, em hebraico), Ele nos revela uma característica fundamental que perpassa toda a experiência do povo de Deus da Bíblia: o Deus comprometido com os pobres é um Deus transdescendente, não apenas transcendente - sua transcendência se esconde na imanência, o divino no humano. A partir do Êxodo, constatamos como Javé é um Deus que ouve os clamores dos oprimidos e desce para libertá-los (Êxodo 3,7-9). No início do Gênesis, o Espírito está nas águas, permeia e perpassa tudo (Gênesis 1,2). Em Jesus de Nazaré, tendo “nascido de mulher” (Gálatas 4,4), Deus se encarna, descendo e assumindo a condição humana. No Apocalipse, Deus larga o céu, desce, arma sua tenda entre nós e vem morar conosco definitivamente (Apocalipse 21,1-3). Logo, um movimento de transdescendência perpassa toda a Bíblia. Esta característica se reflete em Jesus e continua nas pessoas cristãs de verdade.
Profecia é sussurro de Deus. Os oráculos proféticos, normalmente, são introduzidos com uma fórmula característica: “Assim disse Javé....” ou “Oráculo de Javé” (Jr 9,22-23). A expressão “ne’m YAHWEH”, em hebraico, geralmente traduzida por “oráculo de Javé” ou “Palavra de Javé”, significa "sussurro, cochicho de Deus no ouvido do profeta ou da profetisa". Para entender um cochicho, um sussurro, é preciso fazer silêncio, prestar muita atenção, estar em sintonia, ter proximidade, ser amiga/o. Logo, Deus não falava claramente aos profetas, como nós, muitas vezes pensamos. Deus fala hoje para – e em - nós do mesmo modo que falava aos profetas e às profetisas. Deus cochicha (sussurra) em nossos ouvidos, sempre a partir da realidade do pólo enfraquecido, na trama complexa das relações e estruturas humanas.
Precisamos colocar nossos ouvidos e nosso coração pertinho do coração dos violentados, para que nossas palavras possam refletir algo da vontade do Deus da vida. Mais que fazer cursos de oratória, precisamos de cursos de “escutatória”. Para ouvir os clamores mais profundos dos empobrecidos é necessário conviver com eles.

Gilvander Luís Moreira é frei e padre carmelita; mestre em Exegese Bíblica; assessor da CPT, CEBI, SAB e Via Campesina; e-mail: gilvander@igrejadocarmo.com.br –www.gilvander.org.br – www.twitter.com/gilvanderluis - facebook: gilvander.moreira

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Congresso Eucarístico Internacional

Procissão marca o quarto dia do Congresso Eucarístico Internacional

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50congressoeucaristicointernacionalMilhares de pessoas participaram da procissão eucarística na noite de quarta-feira, 13 de junho, ao redor da Royal Dublin Society, onde está acontecendo o 50° Congresso Eucarístico Internacional (CEI 2012, 10-17 de junho).
O cortejo desfilou pelas ruas da cidade entre orações, cantos, leituras do Evangelho e reflexões de Bento XVI, João Paulo II e do cardeal Newman. Aberta com uma Cruz, seguida pelo sino e os ícones do Congresso, a procissão se ‘coloriu’ com a presença da Brigada dos Jovens da Igreja da Irlanda, dos Escoteiros e Guias do país. Também participaram os membros da comunidade cristã indiana do rito sírio-malabarense residente na Irlanda. No centro da procissão, o ostensório foi levado à mão por quatro pessoas, seguidas por todos os bispos e cardeais presentes, pelos Cavalheiros do Papa, de Malta e do Santo Sepulcro.
Padre Robert Mann, sacerdote de uma paróquia de Dublin, destacou que “a perda de sentido do sagrado, que está dominando a nossa sociedade, pode ser revista com este Congresso e com sinais visíveis, como esta procissão. Precisamos de momentos semelhantes, em que caminhamos juntos e vivemos uma fé comunitária. Escondemos nossa fé durante muito tempo”.
Muitos jovens participaram da procissão, e entre eles, Christopher O’Dweyr, 19 anos, que se disse entusiasta do Congresso e da procissão, porque “são uma grande expressão de fé; finalmente se veem cristãos que não têm vergonha de mostrar publicamente sua crença

domingo, 10 de junho de 2012

Torcida de Deus

Fonte http://www.arquidiocesebh.org.br

08/06/2012

Torcida de Deus: milhares de fiéis dão testemunho de amor ao Santíssimo Sacramento


Mais de 19 mil fiéis celebraram com grande alegria e muita fé a solenidade de Corpus Christi - 14ª Torcida de Deus - na tarde e início de noite desta quinta-feira, 7 de junho. O Ginásio do Mineirinho recebeu bispos, padres, fiéis e religiosos que deram testemunho de amor ao mistério da Eucaristia.

A programação da Torcida de Deus começou com apresentação dos músicos Marcelinho de Lima e Camargo. Em seguida, os bispos auxiliares dom Wilson Angotti e dom João Justino presidiram um momento de catequese. Antes da Celebração Eucarística, os bispos auxiliares dom Joaquim Mol e dom Luiz Gonzaga Fechio coordenaram um momento de espiritualidade, que contou com a participação do músico Tom de Minas.

Durante a missa, presidida pelo arcebispo metropolitano, dom Walmor Oliveira de Azevedo, os fiéis ouviram o Evangelho de São Marcos, que narra a Ceia do Senhor, quando Jesus instituiu a Eucaristia. Durante a homilia, dom Walmor disse que a “Eucaristia é um dom por excelência”. O Arcebispo lembrou que, “pela Eucaristia, Cristo vive entre nós”.

Dom Walmor sublinhou a importância de todos os católicos estarem congregados para celebrar e dar testemunho do Cristo Eucarístico. “Testemunho na coerência de nossas vidas, na coerência da caridade, reatando laços de fraternidade entre nós, dando testemunho público da nossa fé, que se desdobra em compromisso com o mundo”.

Também durante a homilia, dom Walmor anunciou a abertura da IV Assembleia do Povo de Deus, lembrando que cada um está convocado a refletir e trabalhar na tarefa, “sempre nova, de fazer com que todos se tornem discípulos e discípulas de Jesus”.

Após a Celebração Eucarística, foi realizada uma procissão com o Santíssimo Sacramento, conduzida pelos bispos auxiliares, dentro do Ginásio do Mineirinho. Os fiéis acenderam velas, tornando ainda mais belo esse momento de fé. Após receber o Santíssimo Sacramento, dom Walmor presidiu a bênção final, agradecendo a presença e participação de todos.

Fonte 
http://www.arquidiocesebh.org.br
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